setembro 21, 2010

Uma paisagem trivial


Através daquela janela emoldurada com vista para o mundo, viu uma paisagem. Por intermédio dela, observou as nuances que compunham a paisagem e nele um cenário. Sentiu a frieza das construções sem vida, com cores frias e opacas, que abrigavam vidas num lento curso das horas. Em contrapartida, a vida da natureza se fazendo pelas árvores, jardins e pequenos pássaros, caracterizados por cores mais fortes e vibrantes. Perfazendo o cenário, a presença do movimento. Aparentemente a natureza se mostrava inerte, até que uma leve brisa movimentou, deslocando as folhas na calçada e um singelo sino dos ventos, que pôs para tocar. Ora, até nas paisagens por demais triviais é possível se extrair algumas palavras...

setembro 17, 2010

À deriva

Pintura: homem perdido / Autor: Fernando Figueiredo

Da bonança à tempestade, assim sucedeu. Embora tivesse um roteiro pronto para seguir, viu-se literalmente à deriva. Prometeu fazer aquilo que os outros não conseguiram fazer, estava certo disso, mas ficou de sobressalto, surpreso com si mesmo, pois também não conseguiu. No preceder, esqueceu-se de despir da armadura da arrogância e pretensão, e ainda, de limitar-se ao cultivo saudável da autoconfiança racional, e como tal, entregar-se ao ditame circunspecto que diz - "Tenha um conceito moderado de si mesmo."

setembro 02, 2010

Pequenos gestos


Prosa vai, prosa vem, o rapaz, atento as peculiaridades, cercava sua nova investida. Era uma morena que para surpresa dela, ouviu dele: "Em nossa curta convivência, conheço-te pelos teus pequenos gestos." Continuou: "Sei que é educada, pois não deu apenas um simples bom dia para todos, mas um bom dia com um leve sorriso de canto. Sei que é alegre e otimista, pois deu até gargalhadas das contrariedades e de seus deslizes. Sei que é equilibrada, pois deu profundos respiros antes de agir e responder com elegância. Talvez aqueles que mais observam, como eu, são os que mais necessitam aprender. Por fim, desculpe a minha ousadia. Quer casar comigo?"