junho 16, 2013
Janelinha azul turquesa
Antônia era uma negra jovem e bonita, de cabelos trançados e que vivia de pintar e bordar. Havia se mudado recentemente para uma casa numa vila distante, em busca de coisas novas e para fugir da correria dos grandes centros. Desde que mudou para esta vila, adquiriu o hábito de observar os pássaros raros da região na companhia de uma xícara de chá do Ceilão, sempre ao nascer do sol, e toda vez se encantava com os cantos e os voos performáticos dos mesmos. Debruçada na janelinha azul turquesa de sua nova casa, não cansava de admirar tudo o que via. O nascer do sol nas colinas esverdeadas, a vilazinha com casas perfiladas e salpicadas de cores, os baobás que enfeitavam as pracinhas e que curiosamente serviam de moradia para os pintassilgos, e as singelas e agradáveis crianças, que felizes, brincavam e conversavam com os pássaros e os animais da região num dialeto incompreensível. Era um lugar fora dos padrões e diferente de tudo o que conhecia até então. Pela janelinha azul turquesa, abria-se um outro mundo, surpreendente, com uma pincelada surrealista. Apesar do contentamento de estar ali, um estranho desconforto foi invadindo o seu âmago no transcorrer dos dias. Uma sutil ausência de coisas que tinha deixado para trás. Até mesmo das travessuras dos despercebidos e hábeis pardais que costumava observar na urbanizada morada de antes, agora inexistentes nesta região. Um indício da conhecida afeição humana pelas coisas antigas e triviais do passado.
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