Foto: Patrícia C. Costa
Trancou a porta de seu apartamento e desceu em direção a rua em busca de algo que tinha perdido. Não sabia bem o que era. Apenas tinha uma sensação indefinida de que era algo muito importante. Desde a semana passada, ela começou a sentir um grande vazio e uma solidão profunda e taciturna, que lhe rendeu noites mal dormidas e uma baixa imunidade, levando até mesmo a adoecer. Isso tinha relação com essa perda. Talvez esse estado de espírito poderia causar uma certa estranheza, já que possuía uma família amorosa e muitos amigos verdadeiros. À medida que procurava pela rua esse algo indefinível e muito importante, o desespero aumentava, porque sentiu que isso lhe custaria a sua sobrevivência. Sua busca se concentrou nos arredores por onde sempre passou. Pelas calçadas, pelo meio-fio, pelos jardins que enfeitavam a rua e até mesmo por entre os carros estacionados. E nada. Procurou no comércio local e em outros estabelecimentos e as respostas eram sempre negativas. Perguntou para as pessoas que cruzavam o seu caminho: "Por acaso você viu algo que me pertence?" E as pessoas não tinham respostas para uma pergunta tão vaga. Compreendeu logo em seguida, que o que estava procurando, não era algo tangível. Caminhou mais um pouco e teve a feliz ideia de perguntar e se orientar com um jornaleiro, amigo de longa data. O jornaleiro - ombro amigo dos passantes - disse com convicção: "Pelo o que eu vejo, você esqueceu a sua alma em algum lugar." E a sua ficha caiu. Pensativa, sentou numa mesa da padaria ao lado, pediu um café, e entre goles, se perguntou desconfiada e cabisbaixa: "Aonde será que esqueci a minha alma?" Na vida, estamos sempre negligenciando e esquecendo nossas almas por aí, como crianças que se perdem de seus pais.

Foto: 7 meteor