janeiro 10, 2016

Não há o silêncio absoluto


Fim de noite e início de madrugada.

O silêncio parece tomar conta de tudo, até que uma brisa arrasta pelo chão um montinho de folhas secas produzindo um som.

Bastou as folhas secas se movimentarem para que o silêncio fosse quebrado de novo. Dessa vez pelo canto de um quero-quero solitário, que parecia voar em meio a escuridão.

Minutos depois, um canto ininterrupto vinha de longe. Era de uma cigarra, que na ânsia de atrair uma fêmea nas horas altas da noite, sequer pediu permissão ao silêncio para colocar em prática o seu desejo.

Alguns insetos respeitam o silêncio. Basta ver os vaga-lumes e a sua bioluminescência. Usa um sinal luminoso para acasalar em vez de ficar incomodando o silêncio com alguma vibração sonora.

O morcego, por exemplo, não se cansa de voar, entretanto, se limita em fazer pouco barulho na hora de buscar alimento nas árvores.

Alguns gatos que vagam pelos telhados são cuidadosos, mas quando se cruzam pelo caminho, não há quem aguente seus miados.

Dizem que as estrelas cadentes quando caem fazem um barulho. Mas deve ser quase inaudível.

Se existe algo perseverante é esse tal de silêncio, que não esmorece diante das vibrações sonoras da noite e da madrugada.