
Pode parecer estranho, mas o homem que se hospedava naquele simples quarto de hotel, com banheiro, uma cama de solteiro, um simples armário e uma pequena mesa, parecia denotar que ele fosse mais um caso de solidão na esfera urbana. Na verdade, ele estava hospedado naquele quarto numa fuga consciente, porque somente ali, no sereno da marginalidade, poderia de fato, separar as impurezas da proveta de sua alma. De onde veio, a turbulência reinava, nada mais comum do que se vê por aí no ninho de relacionamentos humanos, porém, precisava dar um tempo de tudo e traçar metas para alavancar sua vida. Precisava muito, já que a cobrança da sociedade no culto de uma boa posição social vinha a galope, como uma manada de grandes animais a cercá-lo, mesmo no seio familiar, que na sua quietude, disfarçava a pior das cobranças. Entre uma social e outra na saída do quarto, uma leitura de livro, rascunhos de reflexões e análises de seu coração, conseguiu chegar num denominador comum. Agora lhe faltava a coragem de agir. Essa mesma coragem tão citada no heroísmo das experiências do ser humano na poeira do tempo linear, e que nesse momento, o colocou entre a cruz e a espada.