
Constatei que aquele meu dinheiro contado, que seria usado para fazer uma compra e para voltar de condução, não estava tão bem contado assim. "Acho que errei na conta antes de sair de casa." - pensei. Na verdade, faltava cinquenta centavos para completar a passagem de volta para casa naquele fim de noite na metrópole. Ali, nos arredores, já estava deserto e escuro. Estava longe de casa e sem telefone. Até poderia explicar a minha situação para o cobrador e quem sabe pular a catraca, pois era um jovenzinho ainda, mas algo dizia para seguir caminhando em direção ao ponto de ônibus, vasculhando a calçada e o meio-fio, os cruzamentos e o canteiro central. De repente, lá na frente, de maneira providencial e divina, acabei encontrando uma louvável moeda, exatamente no valor de cinquenta centavos. Como um transeunte inveterado, jamais tinha visto uma moeda brilhar tanto sob a luminosidade incandescente de um poste, e tão predisposta para servir alguém, porque esses objetos, em princípio inanimados, assim como tantos outros, quando tocados pela primeira vez logo após serem concebidos, adquirem um sopro de vida, com uma alma e muitos propósitos.

