outubro 18, 2011

Caravana


A posição do sol indicava o meio-dia. Aquela caravana de bandeirantes fez uma pausa para o descanso e para discussão de novos rumos. Foi a partir daquele momento que a caravana se dividiu. Alguns deles queriam desbravar o clima quente e úmido das terras do norte, enquanto outros queriam desbravar a amenidade das terras do sul. Naquele tropel, um bandeirante franzino e até então calado, tornou-se grande, e fitando de cima para baixo seus companheiros, divergiu quanto aos rumos: "Aqueles que se propuserem a tomar outros rumos que não sejam para o leste, se perderão. Digo isso porque, para o oeste, onde o sol se põe, é onde os corações se fecham para a escuridão. Para o leste, onde o sol nasce, é onde os corações se encontram e se alegram." Aquele bandeirante, antes franzino, assemelhava-se a um jorro de luz preso num simples vaso de barro. Poucos levaram ele a sério, devido a frivolidade de muitos daqueles bandeirantes. "Aqueles que quiserem seguir para o leste, fiquem ao meu lado" - convidou. Apenas três bandeirantes argutos aceitaram o seu convite. E já no caminho para o leste, junto com os três bandeirantes, complementou: "Do que adianta uma terra desbravada com um coração emperdenido."

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