
Os olhares daquela bela moça deixou-lhe extasiado. Ela superava em muito o padrão de beleza que ele impôs para si. Muitas vezes chegava a duvidar daqueles olhares se perguntando: "Será que é comigo mesmo?" Na real, sentiu-se meio abobado, como um jovem nos primeiros amores. Levou a imaginar em estar numa noite especial, num jantar com ela, conversando animadamente, trocando confissões e gentilezas, beijos e carícias. Foi assim por vários dias, na ternura daqueles olhares e na bestialidade de suas imaginações. "Isso não pode estar acontecendo comigo" - afirmava. Acabaram se conhecendo ao meio-dia de uma sexta-feira. Engataram um agradável almoço, talvez como um aperitivo de um fim de semana promissor. Lá pelas tantas, na iguaria de sobremesa, ele tomou coragem e disse: "Reparei nos seus olhares para mim." E antes dele dizer mais alguma coisa, ela disse inocentemente, avesso as reais intenções dele: "É que você se parece demais com o meu irmão falecido. Eu tinha muito apreço por ele." Para decepção dele, os olhares daquela moça não eram um flerte. Apenas uma saudade.


