março 22, 2012

A honestidade


De repente foi tomado de surpresa por um assaltante.

- Anda! Anda! Passe-me o que tem de mais valioso.

- Veja. Não tenho nada de valor para te passar. Escolheu a pessoa errada.

- Tem sim. Não estou atrás de dinheiro, tampouco relógios ou celulares. Estou atrás de algo que você tem e que é mais valioso do que todos os bens materiais desse mundo.

- O quê?

- A honestidade.

E o assaltado ficou sem reação com essa abordagem insólita, porque não se furta bens imperecíveis como a honestidade.

março 10, 2012

Incômodos de verão


Cambaleando, tive que sentar numa sombra da praça e afrouxar o nó da gravata. O verão é assim. Às vezes perde-se o prumo. O verão tem as suas peculiaridades. Percebe-se que cada um derrete à sua maneira. Uns se entregam para a moleza, para o descompromisso e para a nudez, sem qualquer constrangimento, enquanto outros ficam de cabeça quente, com os nervos à flor da pele. Aliás, o verão é alegria, mas também é sinônimo de confusão.

Tudo estava parado. Desgraçadamente parado. Torcia para que uma leve brisa movesse as folhas das árvores para amenizar o clima abafadiço. De repente, o inimaginável aconteceu. O céu passou do azul para o laranja. O sol dobrou de tamanho e ofuscou os meus olhos. Então, comecei a perder os sentidos. Os pombos, coitados, foram caindo chamuscados do céu, um a um, forrando todo o chão da praça. Incrédula, uma idosa que estava passando se comoveu e veio blasfemar em minha direção. Antes de perder completamente os meus sentidos, ainda tive tempo de dizer para ela: "Aqui jazem vários pombos".