Foi um Deus nos acuda. A notícia de que as pessoas estavam sendo despidas por um rasgo da natureza, se espalhou rapidamente. Foram muitas as interpretações. No começo, algumas pessoas não levaram a sério, atribuindo o fato como uma histeria metafórica qualquer. Outras, levaram a conversa ao pé da letra, associando esse ato de despir, às suas vestes. Os que tinham o atributo da perspicácia, logo entenderam -
estariam nús em alma. E nesses, a inquietação foi evidente, pois entenderam que estariam à mostra, os despudores, as sem-vergonhices, os segredos e toda a imoralidade escondida no âmago de cada um. Na esteira das especulações, havia o pressentimento de que dali em diante, a mentira não teria mais espaço neste mundo. E foi o que aconteceu. Bastava conversar e interagir com uma outra pessoa, para que o mundo interior dela viesse à tona, como páginas abertas de um livro. Como forma de se proteger do constrangimento da exposição pessoal que isso acarretaria, algumas pessoas se tornaram menos sociáveis, se escondendo literalmente, sobretudo aquelas que adoram criticar, mas que odeiam ser criticadas. Até os adeptos da mentira compulsiva, começaram a despertar do "Véu de Maya" de seus equívocos. Porém, nem tudo era embaraços. Alguns viram nessa ocorrência, uma oportunidade sem igual para educar os seus instintos mais primitivos e infantis.