Foto: Michelle Brea
Eram três da manhã. Levantou, foi até a janela, e custou acreditar que toda aquela chuva, não foi suficiente para afugentar o ânimo daquele odioso bar. "Porque não atentei a esta balbúrdia na hora de decidir morar aqui" - se lamentou.
Colocou uma roupa e desceu para falar com o porteiro do prédio. E desabafou: "Essas pessoas não tem o hábito de dormir? Há quanto tempo existe este bar?" O porteiro respondeu: "Não sei ao certo, mas posso te garantir que ele é tão antigo quanto as fraquezas humanas."
Pensou em discar logo para a polícia, mas antes foi até o bar, para tentar silenciar toda aquela arruaça por conta própria.
Circulou por entre mesas, cadeiras e pessoas, pedindo para que todos fossem embora, mas sequer deram ouvidos para ele. Só lhe deram uma pequena atenção quando ele esbarrou sem querer numa garrafa de cerveja de um casal, que estupefatos, viram o líquido precioso se espalhar pela mesa. "Qual é!" - disse a mulher cafona.
O motivo de tanta indiferença, é porque acharam que ele era um homem doido, insensato, que circulava por ali desprovido de razão, mas na verdade, de acordo com seus princípios morais, eram eles os desprovidos de razão.
No pouco tempo que circulou pelo bar, deu para sentir os ares da libertinagem, da gula e do alcoolismo, que estimulava as pessoas a ficarem cada vez mais e mais naquele ambiente.
E as suas tentativas foram se esvaindo pelo chão, pela sua impotência em disciplinar sozinho, como homem simples e imaculado, tamanhos prazeres de uma vida desregrada.
