novembro 25, 2011

novembro 15, 2011

Dias mais curtos


Estamos no ano de 2015. Os dias parecem cada vez mais curtos. Os relógios contam as 24 horas de sempre, mas parecem que tem apenas 12. Com isso, a minha rotina vem mudando drasticamente. Estou tomando o café da manhã, às pressas, com farelos caindo pelo chão no caminho do trabalho. As horas de trabalho passam voando e a labuta vem se tornando cada vez mais opressiva. Na hora do almoço, tenho que me contentar em apenas "beliscar" a comida, porque segundo o meu chefe, "o tempo urge". Aliás, uma alternativa prática e saudável que encontrei, foi carregar sempre comigo pequenas porções de castanhas, nozes e frutas secas para manter a qualidade da minha alimentação. O fim de tarde está logo ali e a noitinha não é mais a mesma. Abdiquei de algumas atividades prazeirosas, entre elas, as atividades físicas, antes praticadas religiosamente e que agora se tornaram esporádicas. Continuando assim, adoeço. Entretanto, não é só comigo. É com todos. Mas vamos nos adaptando. É possível que a geração futura esteja completamente adaptada. Talvez veremos pessoas mais gordinhas e com estaturas menores, porque a nossa espécie passou a dormir menos, diminuindo os níveis de leptina no organismo e assim provocando uma sensação de fome constante e uma desaceleração geral do metabolismo. Talvez o índice de natalidade vai diminuir, porque não haverá mais tempo e saco para perpetuar e cuidar de nossa espécie. Pode ser também, que forçosamente seremos obrigados a reduzir a nossa jornada de trabalho para balancear as outras atividades durante o dia e assim mantermos o mínimo de qualidade de vida. Ou também vai ver que essa anomalia do tempo é apenas um ciclo (o que eu acredito), e que o universo vai se encarregar de colocar o tempo em seu devido lugar. Mas só por hoje, ainda me vejo esgotado e insatisfeito com o meu dia.

novembro 08, 2011

Paradoxo

Foto: FMK Jahponeis

- Estou aqui para prestar a minha solidariedade com a tua condição. Em que posso ajudar?

- Em nada.

- Mas vejo que necessita de um local mais digno para morar. Falta aqui uma infra-estrutura adequada e sua moradia me parece muito frágil.

- Não se preocupe amigo. Não temos isso, mas em compensação temos uma comunidade com pessoas unidas, festivas e que se auxiliam mutuamente. Não queremos sair daqui.

O voluntário para causas sociais se surpreendeu com essa resposta. Muitas vezes, o que determina se um local é bom, não é a condição do local em si, mas o núcleo de pessoas que estão ali. Isso vale para inúmeras situações, como nessa experiência vivida pelo voluntário, que se viu obrigado a compreender esse paradoxo.