
Estamos no ano de 2015. Os dias parecem cada vez mais curtos. Os relógios contam as 24 horas de sempre, mas parecem que tem apenas 12. Com isso, a minha rotina vem mudando drasticamente. Estou tomando o café da manhã, às pressas, com farelos caindo pelo chão no caminho do trabalho. As horas de trabalho passam voando e a labuta vem se tornando cada vez mais opressiva. Na hora do almoço, tenho que me contentar em apenas "beliscar" a comida, porque segundo o meu chefe, "o tempo urge". Aliás, uma alternativa prática e saudável que encontrei, foi carregar sempre comigo pequenas porções de castanhas, nozes e frutas secas para manter a qualidade da minha alimentação. O fim de tarde está logo ali e a noitinha não é mais a mesma. Abdiquei de algumas atividades prazeirosas, entre elas, as atividades físicas, antes praticadas religiosamente e que agora se tornaram esporádicas. Continuando assim, adoeço. Entretanto, não é só comigo. É com todos. Mas vamos nos adaptando. É possível que a geração futura esteja completamente adaptada. Talvez veremos pessoas mais gordinhas e com estaturas menores, porque a nossa espécie passou a dormir menos, diminuindo os níveis de leptina no organismo e assim provocando uma sensação de fome constante e uma desaceleração geral do metabolismo. Talvez o índice de natalidade vai diminuir, porque não haverá mais tempo e saco para perpetuar e cuidar de nossa espécie. Pode ser também, que forçosamente seremos obrigados a reduzir a nossa jornada de trabalho para balancear as outras atividades durante o dia e assim mantermos o mínimo de qualidade de vida. Ou também vai ver que essa anomalia do tempo é apenas um ciclo (o que eu acredito), e que o universo vai se encarregar de colocar o tempo em seu devido lugar. Mas só por hoje, ainda me vejo esgotado e insatisfeito com o meu dia.
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