setembro 10, 2013

Uma poetisa no oriente

 
Em viagem para Macau, no distante oriente, ele descobriu histórias de vida interessantes e ligeiramente estranhas. Certo dia, caminhando por uma rua onde a tradição mesclava com a modernidade e onde transeuntes de várias partes do mundo dividiam um espaço ínfimo de circulação, ele observava atento as pessoas por entre as lojas de souvenirs. Em meio a tantas coisas, uma mulher formosa, de meia-idade e com uma tiara de flores no cabelo, lhe chamou a atenção. Seu magnetismo e sua oratória na língua inglesa atraía algumas pessoas ao seu redor, inclusive ele, que foi conferir do que se tratava aquele discurso. Para a sua surpresa, era um recitar de poesias. Por ali ficou um tempo para ouvi-las e também para perguntar sobre a sua vida.

- De onde você veio?
- De Londres.
- Qual a razão de estar aqui recitando poesias em público?
- É uma história atípica. Eu e o meu esposo viemos para cá passar alguns dias de férias como forma também para reatarmos a nossa união. E numa noite dessas, após um agradável jantar, tivemos uma calorosa discussão. Na sua precipitação, ele me largou sozinha no hotel e pegou um voo de volta para Londres.
- Lamento. E aí?
- Nessa mesma noite, onde caí em profundo desalento, tive um sonho. Vi adentrar no quarto do hotel, a figura de um sábio oriental de aspecto firme e milenar. Fiquei perplexa e meio desconfiada. Ele vestia uma túnica marrom com uma insígnia no peito e portava um livreto que tinha a palavra Dharma como título. Não se identificou tampouco disse de onde veio, mas foi sucinto ao falar: "Coloque um vestido bonito, uma tiara de flores no cabelo e vá para a rua recitar as poesias que você escreve em segredo para aqueles que desejarem ouvi-las. Fazendo de bom grado, verás desfeito o revés com o seu esposo."