junho 22, 2015

Banca de jornal

Desenho: Karina Kuschnir
 
Seis horas da manhã.

Uma banca de jornal aberta.

Um idoso parou na banca. Queria comprar um jornal somente com notícias boas. O jornaleiro com pesar disse que não tinha, mas que um dia haveria de ter. O idoso se foi descontente, porém com uma pontinha de esperança em seu coração.

Não demorou para que uma segunda pessoa aparecesse. Era um jovem bem arrumado com muito para viver. Não queria comprar jornais, revistas, tampouco cigarros. Queria apenas se informar sobre o endereço de sua entrevista de emprego. Saiu apressado e ofegante rumo ao seu destino, com os votos de boa sorte do jornaleiro.

Hora do almoço. Nessa hora do dia sempre aparece um homem. Ele é amigo de longa data do jornaleiro. Um tagarela. Costuma beber e conversar na padaria ao lado. Para ele só existe um assunto que ninguém aguenta mais - partidas de futebol.

Lá pelo meio da tarde, um mendigo se aproximou. Parou, olhou e disse uma porção de coisas desconexas. O jornaleiro, solidário, perguntou se poderia ajudar em algo. O mendigo, com olhar distante e preso em seu universo particular, nada respondeu. Apenas se foi, arrastando suas mantas pelo chão.

A noite se aproxima. O movimento continua.

Tem aqueles que param na banca para folhear revistas de fofocas e de mulheres seminuas.

Tem aqueles que fazem da banca um abrigo para fugir ou para se livrar de algum perigo.

Até mesmo como retiro momentâneo, para descansarem das intempéries da vida moderna.

E assim vai. Com as pessoas vindo e se esvaindo.