
Logo ali, havia uma longa fila.
Uma fila que dava numa casa antiga, sem nome, sem número.
Entrei nesta fila. Perguntei para quem estava na minha frente:
- Do que se trata?
E a pessoa respondeu:
- Vão nos dar uma senha.
Ali fiquei, numa fila de pessoas que mal falavam, também aguardando a tal senha.
E a fila aumentava. Já dobrava várias esquinas.
Enfrentei o sol, o vento, o calor e até mesmo o frio.
Lá se foi uma tarde inteira e uma boa parte da noite.
Perdi compromissos importantes de trabalho e a festinha de aniversário de meu filho.
Houve até um tumulto, um bate-boca lá no início da fila, sem razão aparente, que do nada iniciou e para o nada terminou.
Somente no fim da noite, uma pessoa me entregou uma senha e pediu para que eu voltasse daqui três dias no mesmo horário.
Apenas peguei a senha e nada perguntei.
E a fila foi se desmanchando até desaparecer, como se nada tivesse acontecido ali.
Já de volta para casa, minha mulher, muito nervosa e com o nosso filho chorando, perguntou:
- Porque a demora?
Então respondi:
- Fiquei na fila para pegar a senha.
E ela:
- Que senha!?
Envergonhado, respondi:
- Não sei.