setembro 20, 2016

Curiosidade mórbida


Caminhava pelo centro da cidade até que próximo de uma estação de metrô havia uma concentração de pessoas assistindo o resgate de uma vítima de atropelamento. A curiosidade era tanta que a própria vítima deveria estar constrangida e oprimida por chamar tanta atenção e obstruir o trânsito. Num outro ponto, uma concentração de pessoas cercava um casal que se agredia verbalmente. A impressão que dava era de que aquelas pessoas se deliciavam com aquele show de ofensas e não demonstravam nenhuma intenção de reprimir ou separar o conflito antes de chegar as vias de fato. Próximo ao local, uma lanchonete movimentada exibia em seu televisor um programa de cunho policial. As pessoas ali, hipnotizadas pelo drama alheio, levam para suas vidas pessoais toda a negatividade das notícias. As conversas então, nem se fala. Bastou recostar num banco de praça para que os queixumes, críticas e fofocas partam daqueles que se aproximam para bater um papo, sem o menor receio das consequências que isso poderá acarretar em suas vidas. E o que dizer dos profetas do fim do mundo. Munidos de uma bíblia e de um pseudoconhecimento, utilizam de seu poder de persuasão para diluir o medo entre as massas, e não arredam o pé dos locais de movimento, até que um grande número de pessoas entrem nessa onda. E assim, as coisas boas e as belezas sutis que podemos encontrar pelas esquinas, passam despercebidas, como um rapaz que recitava poesias ao vento, pois quase ninguém parou para ouvir e meditar na sua arte, ou mesmo um grupo pequeno de teatro de rua, que distribuia abraços, gentilezas e palavras de alegria aos passantes.