O inquilino foi embora de minha casa. Foi embora de cara feia. Sequer teve o cuidado de varrer a frente forrada de folhas secas. Deixou a soleira da porta de entrada com uma trinca. O piso de tacos de madeira da sala estava arranhado com o vai e vem do sofá. Os azulejos e os rejuntes da copa e cozinha estavam sujos e engordurados. Os quartos estão com as paredes levemente mofadas. Os banheiros em nada lembra a brancura de antes, assim como a área de serviço. Mesmo assim, o inquilino julgou no direito de sair de cara feia, como se tivesse toda a razão do mundo. Deixou em cacos as lembranças da singela casa da minha infância e adolescência.