dezembro 21, 2011

dezembro 11, 2011

Diálogo com Papai Noel


Em algum lugar, próximo ao círculo polar ártico.

- De onde o senhor veio?

- Do pólo norte. (resposta vaga)

- E para onde o senhor está indo?

- Para algumas regiões do hemisfério sul.

- Por curiosidade. Como é que o senhor dá conta de tantos pedidos?

- Eu não estou só. Somos uma legião de bons velhinhos. Desempenhamos a mesma tarefa, cada um cobrindo uma região pré-estabelecida. Entretanto, nós atendemos somente os pedidos feitos com o coração e temos a missão maior de manter acesa a chama da magia natalina e promover a harmonia familiar dentro de todos os lares.

- Que belo trabalho. No fundo, eu sempre acreditei na sua existência e de muitas outras coisas consideradas fantásticas. Seria muito tedioso se não fosse assim. Porém, muitos sequer cogitam essas possilidades. É como a minha avó disse certa vez, já no leito de morte: "O maior defeito que encontrei no mundo foi a descrença."

- Fico feliz em saber que existem pessoas como você, que enxergam um pouquinho mais além. E lembre-se: o natal se faz todos os dias.

dezembro 01, 2011

No fim do mundo

Foto: Thad Roan - Bridgepix

Passei alguns dias no fim do mundo. Era uma pequena cidade litorânea, bela e misteriosa, localizada no extremo sul do mapa. Certo dia, fui conhecer o cais do porto daquela cidade, lembrando de uma frase de um velho amigo pescador: "É pelo porto que se conhece à fundo uma cidade." E lá vi barcos chegando e partindo, abarrotados de turistas como eu. Percebi que a maioria daquelas pessoas pareciam procurar muito mais do que uma simples experiência turística, mas uma experiência de vida. Por ali fiquei, degustando um alfajor comprado num café local, na companhia de um enigmático guardião do porto, que emprestava a sua simpatia num instrutivo bate-papo. Envolto numa capa de chuva, ele olhava atentamente para o movimento enquanto dizia: "A termo fim do mundo é muito comum por aqui. Percebe-se que todos nós temos uma obsessão pelo fim, como um prelúdio de um novo começo em nossas vidas. As pessoas vem para cá, porque encontram uma certa analogia com isso. Sentem-se encorajadas em recomeçar." Durante a conversa, não poderia deixar de olhar e me surpreender com o estado dinâmico e incomum do lugar. Em segundos, a paisagem adquiria outras nuanças, onde o sol e a chuva se alternavam numa velocidade impressionante. O barômetro local se agitava. Num piscar de olhos, os albatrozes e os pinguins austrais apareciam e desapareciam como por encanto. Num leve movimento de pescoço, via pessoas antes abatidas, se rejuvenecerem. O guardião do porto, percebendo as minhas observações, explicou: "As coisas por aqui possuem uma outra dinâmica. Aqui se vive no limiar do presente para o futuro, do velho para o novo e da ilusão para a realidade. Vive-se sempre na expectativa desta linha tênue em algum momento se partir. Até desconfio, pelos desdobramentos que presencio, que estamos numa troca constante com uma espécie de dimensão supra-física." Tudo isso estava sendo misterioso e até surreal, sem pé, nem cabeça. Mais ainda, porque ao me virar para dizer as horas para um turista que me perguntou, o guardião já não estava mais ali do meu lado, surpreendentemente.