outubro 04, 2010

Reciclagem

Foto: Daniel Barros

Sufocada por se doar muito aos outros, ela ergueu sua mão direita e deu um breve até logo para as pessoas a sua frente. Sem olhar para trás, caminhou cantarolando com seus pés descalços para o vasto campo a perder de vista. Num passe de mágica, sua feição adquiriu novos contornos. Seus olhos se tornaram radiantes e os cabelos ligeiramente elegantes. Sua respiração se tornou menos ofegante e seu andar mais leve e refinado. Era a sua reciclagem. Porém, como de costume, sempre haverá a crítica dos infelizes exorbitantes pelo justo descanso alheio. Contrariando a visão de mundo deles, o vasto campo tocou sua alma mostrando que para estar apto em ajudar os outros, é preciso antes se ajudar. Ela sorriu aliviada, pois percebeu que não existia inteligência na sua humanidade sem limites.

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