abril 06, 2012

Uma chuva incessante

Foto: 7 meteor

Era o quinto mês de uma chuva incessante. Em alguns momentos variava a sua intensidade, mas nunca deixava de cair. Apesar dessa condição desfavorável para passeios, ele saía todos os dias pelas ruas munido de seu guarda-chuva, em busca de respostas para o charco que se tornou aquela cidade. De início, toda essa água foi acarretando uma série de problemas de ordem urbana, social e emocional, e que foi lentamente conduzindo moradores e autoridades locais para um outro charco: o da resignação. Não obstante, ele e alguns moradores passaram a questionar a razão de tudo aquilo. Remexendo a sua memória, lembrou de uma conversa que teve com um cidadão de esquina, muito antes de começar a chover. O cidadão, incomodado com a sujeira das ruas e das vielas, alertou: "Veja só (passando o dedo sobre um carro). Essa sujeira impregnada na superfície de todas as coisas, não é uma simples sujeira de poluição. É a sujeira moral acumulada de todos os que vivem nesta cidade, que de tão viscosa, seria necessário um grande acúmulo de água para dissolvê-la." E a natureza com toda a sua sabedoria assim o fez, tratando de efetuar a limpeza num longo e obscuro período, onde quase tudo se perdeu, inclusive a esperança e o calor ameno, mostrando que seria preciso que todos os habitantes daquela cidade fossem mais puros e íntegros.

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