agosto 13, 2010

O pássaro negro


Oxalá, se fosse um belo pássaro. Não, era um pássaro decrépito, meio humano e caricato. Herege, dizia pérolas do tipo: "onde duas ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, lá estarei no meio delas". Bastava que essas duas ou mais se entregassem ao sabor das fofocas, aos comentários esdrúxulos, aos exageros do ciúme, aos azedumes e ataques de fúria, para com seu magnetismo, praguejá-las sem ser notado. Sarcástico, se divertia depois ao verem essas mesmas pessoas reclamarem de suas amarguras. De fato, somente rindo para não chorar por mais essa figura alegórica criada e alimentada por nós mesmos através de nossas repetitivas mazelas.

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