abril 01, 2011

Dia de escuridão

Foto: Felipe Tonello

Primeiras horas de um novo dia. Ainda escuro, entretanto, algo de estranho e inverossímil se sucede. À julgar pelas horas, o sol já deveria ter iniciado sua labuta. Ele resolveu estender o seu descanso. Parecia estar cansado de nossas maledicências a respeito de seus raios. Uma engenharia promoveu uma acareação com um abismo de escuridão que mal conhecíamos. O interessante era notar os estados emotivos e até catalépticos resultantes. Via-se uma grande parcela de desesperados, baseados na crença maçante e nebulosa mais antiga do que o próprio homem - a do fim do mundo. Mas existiam aqueles que mantiveram a calma, a dignidade e o entendimento de que todo descanso se encerra. Também era interessante notar o contentamento de alguns, como os fabricantes de velas artesanais e as lojinhas de artigos religiosos, que fervilhavam uma nova clientela, que pouco ou nada tinham de costumes religiosos, onde antes era frequentado somente por mansas e devotadas senhoras com terçinhos na mão. Nem foi preciso transpor a barreira do meio-dia para que toda essa amálgama se reunisse nas praças e nos centros populares de compras para se perguntarem - o que está havendo? Porque somente os mais sensatos poderiam responder que todo trabalhador é digno de férias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário