fevereiro 10, 2012

A impulsividade e a vergonha


"Cresça, apareça. Ao ver algo de errado, não se omita."
Essas palavras ressoavam constantemente em sua cabeça. Incomodava tanto, que vivia sequioso em mudar de atitude. Garimpava oportunidades para interferir em tudo aquilo que se fizesse necessário. Ouvia sempre de seu tutor: "Pior do que um homem mau, é o homem que vê o mal e acaba se calando. Esse tipo se compraz inteiramente com a maldade. Porém, tenha cuidado. Não subestime a maldade." Ele estava tão sequioso, mas tão sequioso, que certo dia, em praça pública, viu dois homens numa ríspida peleja, a ponto de se agredirem. Antes de chegarem as vias de fato, ele interferiu, separando-os, para pregar o respeito mútuo: "Parem! Parem com isso!" Logo em seguida, ele foi impedido por uma outra pessoa pela retaguarda, que irritada, disse aos berros: "O que você está fazendo! Nós estamos gravando!" Perdido naquela intempestividade do momento, ele custou em perceber todo o aparato de cena ao seu redor. Ele paralisou uma externa de gravação! Ruborizado, queria se explicar. A sua impulsividade criou-lhe uma armadilha. Em meio aquelas pessoas em praça pública, onde a arte estava imitando a vida com todos os seus pormenores, a sua vontade cega, mesmo que bem intencionada, mas sem o devido bom senso, conduziu-lhe para as raias da vergonha em público e da vergonha alheia...

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