
Minha amiga me apresentou uma moça. Ela morava num barraco de uma favela onde essa minha amiga fazia um trabalho social. Ela era muito bonita. Tinha um olhar envolvente, cabelos compridos e ondulados, um rosto perfeito e um corpo escultural. Por outro lado, seus pés, mãos, unhas e roupas, eram maltratados e até mesmo um pouco sujos. Essa combinação se mostrava de certa forma atraente e afrodisíaco. Ela disparava uns olhares de interesse para mim. Cheguei a convidá-la por inúmeras vezes para sair comigo, por intermédio dessa minha amiga, mas ela sempre recusava. Passei dias e mais dias com um nó na cabeça e uma pedra no coração, na iminência de um relacionamento dos mais excêntricos. Precisava entender o motivo de tantos convites negados. E foi através da minha amiga que fui entender. Ela descobriu que o irmão dela, com fama de delinquente, a convenceu de que ela não valia nada e que não serviria para mim. Mas eu queria dizer para ela, que o seu irmão não sabia o que estava dizendo. Ela assimilou o que o irmão disse como uma verdade incontestável, devido a sua ausência de autoestima. Se há um lugar onde essa ausência é via de regra, esse lugar se chama favela, com seus córregos fétidos e barracos com chão de terra batida. Ela colocou um outro empecilho. Ela não queria sair comigo, porque não tinha uma roupa bonita para vestir. Chegou a comentar para a minha amiga, que não vestia roupas, somente trapos. Mas eu queria dizer para ela, que isso também não importava, e que se fosse preciso, compraria para ela muitas roupas bonitas. Mesmo assim, ela foi se esquivando até desaparecer da minha vida. Acabei vencido pelas circunstâncias que envolvem a miséria.
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