Pintura: Fernanda Brenner
Ela estava disposta em tingir de amarelo tudo o que julgava sem graça, sem vida e triste.
Por vezes, sentava em algum lugar.
Poderia ser uma pracinha abandonada, um viaduto antigo e mal conservado.
Sobretudo em lugares urbanos.
Ao sentar apenas contemplava a paisagem.
E nas paisagens acinzentadas onde predominava a feiura e a tristeza, não hesitava em tingir de amarelo.
Tingia os becos por onde passaram os usuários de drogas.
Nas calçadas esburacadas.
No meio-fio, onde as pessoas acumulavam lixo.
Nos pontos de ônibus.
Nas ruas de comércio popular.
Até mesmo foi capaz de tingir de amarelo os conservadores uniformes da Polícia Militar que encontrava pela frente.
Enfim, inúmeras coisas e lugares.
Afinal, para ela o amarelo é vida.
É a cor da beleza e da alegria.

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