
Ele estava sentado no sofá quando num rabo de olhar viu alguém adentrar a casa. Era seu irmão com a pele rubra e os lábios cerrados. Já imaginara. Essa feição é dos que tentam e logo se decepcionam, afinal , o que esperar de alguém com uma visão de mundo tão estreita? Sem pudor, achava que as coisas se conquistavam por meios nem sempre honestos. As chamas de suas conquistas se acendiam e tão logo se apagavam. Por um momento se entrelaçaram num olhar decisivo e por não dizer, derradeiro, e somente por este olhar, achou que seu irmão despudorado parecia ter aprendido com seus enganos. Bem, só parecia. Como alguém a bater sempre na mesma tecla, só olhou, não disse nada e retirou-se para o seu quarto em silêncio para continuar a trilha dos enganos. O seu despertar ainda não foi dessa vez.
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