
No mirante com vista para a cidade, os dois irmãos confidenciam sentados no aconchego de um banco. "Tenho um desejo incontido" - disse um deles. Durante o relato do desejo incontido, o que chamava a atenção era o corrupião na árvore ao lado com seu canto mavioso. "Aqui por essas bandas, o corrupião traz bons presságios" - disse. E num hiato, fez-se à luz, e alguns metros adiante e acima, apareceu. Era um gênio da lâmpada presunçoso de um só pedido. "Estou lhe ofertando pronto e acabado" - disse. O amigo do desejo incontido rechaçou - "Não aceito". O gênio da lâmpada reforçou - "Estou lhe ofertando pronto e acabado". O amigo do desejo incontido disse - "Regozijo com os meios, não com os fins". Essa assertiva desconcertou o ilustre gênio da lâmpada. Jamais alguém lhe disse algo contestador com tamanha profundidade e lucidez, ainda mais partindo de alguém com um nível hierárquico divino aparentemente inferior, o que o fez questionar a sua própria divindade auto-outorgada até então. "Nem mesmo as divindades outorgadas mantém-se em pedestais" - reavaliou. Assim, baixou a fronte e desceu de seu pedestal sob o olhar repreensivo dos dois irmãos. "Está bem. Compreendi a moral" - disse. Continuou - " Estou lhe ofertando os meios, porém tenho uma ressalva". "Qual? - disse o amigo do desejo incontido. E o gênio finaliza - "Que me informe seu êxito".
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