novembro 17, 2010
O lunático
...aliás, sempre comentavam que ele parecia um lunático. Algumas vezes sentava sob o luar e céu de brigadeiro na expectativa de que algo notório acontecesse naquele quadrante boreal noturno. E acontecia. Caía uma estrela ali, outra acolá. Absorto pelo que descortinava em seu campo visual, a abóboda celeste engendrava mecanismos matemáticos não menos poéticos. Pensava como podia tudo isso passar despercebido pelos outros nas ruas ou em seus próprios lares. Esses mesmos preocupavam em remexer a terra à perscrutar o céu. Preocupavam acima de tudo em assistir em demasia e levar à relevância, programas de tv que valorizam a tristeza e os maus costumes, ao invés de valorizar a alegria, se encantando com o andar contínuo de Marte pela linha imaginária de trânsito, dia após dia, sem pressa no porvir, por entre a lousa cravejada de estrelas. Bem, cada um na sua. Para ele, o fato de tentar compreender a dinâmica do céu, era uma forma de compreender a si mesmo.
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