março 04, 2011

A silhueta

Imagem: OrangeUtan

Uma silhueta de felino estava em guarda sobre o muro. Para não se ater a uma ideia vaga, fechou e abriu seus olhos algumas vezes para constatar que não se tratava de uma mera imagem fantasmagórica das noites de antanho. Tratava-se de algo com um rabo altivo, uma maquininha de ronronar e um par de olhos com pupilas verticais, que brilhavam feito faróis, não somente para vasculhar as lápides ou para guiar e dar uma sobrevida para os moribundos da noite lúgubre, mas também para antecipar aos flagrantes daqueles que agem perversamente pela surdina, como ele. Aquele olhar intimidador na contraluz da luminescência lunar, provocou-lhe um estado de desassossego, um rasgo de punhal na sua vã agudeza de espírito, como era de se esperar, já que ordinariamente o malfazejo desmascarado jura com a venda nos olhos e com as disposições do ego, de que os malefícios são ocultos no silêncio das horas altas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário