abril 14, 2010

Balaio de gente


Estavam ali os três homens a dividir um pestilento teto na metrópole com as despesas de aluguel, alegrias e desventuras. Quis o destino imposto por eles mesmos inconscientemente por uma irresistível atração chamada de afinidade, de reunir sobre o mesmo teto três figuras com idênticos destemperos de personalidade. De certo, não poderia ser diferente. Alguns elementos da natureza não se misturam. Tiveram a chance de conviver com pessoas de maior envergadura moral e estranhamente recusaram. Nem a ciência explica. Por serem interesseiros e suspeitosos, era fácil de imaginar que eram inimigos das boas e sinceras amizades. Tais quais raposas a se entreolharem, chegaram ao cúmulo de suspeitarem um dos outros no mesmo ar que respiravam. Quis o destino, cômico até, de juntar três num balaio só.

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