abril 12, 2010

Nas trincheiras


O comportamento daquele homem focado na atraente zona do conforto não lhe permitia a andar por aí, livre e espontâneo, experimentando o leque de possibilidades e desafios que a vida na sua ávida sabedoria ofertava. Espantadiço, tinha medo do novo, do impalpável, costumava mergulhar nas águas da mesmice definhenta onde sequer ondulava. Em alguns momentos vivia militarmente numa desconfiança infundada de tudo e de todos, onde fazia das esquinas, mesmo aquelas alegres e dinâmicas, profundas trincheiras para lhe proteger dos possíveis julgamentos e decepções que as pessoas poderiam provocar. A inércia, no inevitável movimento das coisas, demonstra ser um estado passageiro e sem fundamento, o que fez uma misteriosa mão, segura e ao mesmo tempo delicada, deslocar esse homem do seu eixo habitual para fazê-lo entender que um pequeno passo de olhos fechados para o novo impalpável, soa como um gigantesco passo para seu propósito como homem.

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