
Sentou na mureta com suas pernas ao ar e a fronte para o mar, se refrescando com os últimos goles de água e sentindo o alvoroço de homens, mulheres, crianças e animais tateando suas costas. Não olhou, nem se importou. Percebeu que sua cabeça movia para trás até certo ponto e notou que a Criação foi caprichosa nisso. Olhar para trás? Molestar o passado? Para quê? Ao lado e próximo a ele, aos pares ou não, pessoas também ali sentadas pareciam remoer e regurgitar seus traços de nostalgia. Um observador de fora ao ver essas prostrações poderia pensar - "A nostalgia enredou e venceu nestes homens". De maneira alguma. Com ele o processo de assimilação era diferente. A perspicácia de seu olhar percorria pelo trôpego horizonte do oceano à perder de vista, e miragens, tão reais quanto os grãos de areia sob seus pés, apareciam com uma clareza espantosa, como um filme mostrando cenas de um futuro ditoso e promissor. O vento proveniente do mar, ora produzia, ora dissipava espumas distantes, como se os infortúnios seguissem o mesmo curso. Um leve perfume se misturava com essa mesma brisa marítima, que era a fragrância do amor, num ensaio do que virá, galhofando através de um mistério o gênero desse amor. Até mesmo a natureza avesso a bajulações, honrou seu espírito com mensagens subliminares. Não havia sequer na face da Terra tal homem naquele momento.
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